O acesso ao crédito habitação em Portugal vai sofrer alterações importantes a partir de 1 de agosto, na sequência das novas recomendações do Banco de Portugal. Estas medidas pretendem reforçar a estabilidade financeira e garantir que as famílias assumem empréstimos compatíveis com a sua capacidade financeira.
Se está a pensar comprar casa nos próximos meses, é essencial compreender o impacto destas mudanças e preparar-se antecipadamente.
Porque surgem estas novas regras?
Nos últimos meses verificou-se um crescimento muito expressivo do crédito à habitação, acompanhado pela valorização contínua dos imóveis. Perante este cenário, o Banco de Portugal decidiu reforçar os critérios de concessão de crédito, procurando reduzir o risco de sobre-endividamento das famílias e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Embora estas alterações tornem o acesso ao financiamento mais exigente para alguns compradores, o objetivo é promover decisões financeiras mais sustentáveis a longo prazo.
As principais alterações
Taxa de esforço passa de 50% para 45%
A principal mudança consiste na redução da taxa máxima de esforço.
Até agora, uma família podia comprometer até 50% do seu rendimento líquido mensal com o pagamento de prestações de crédito.
A partir de agosto, esse limite passa para 45%.
Na prática, isto significa que:
- poderá ser aprovado um montante de financiamento inferior;
- alguns candidatos poderão necessitar de um rendimento mais elevado;
- poderá ser necessário aumentar o valor da entrada inicial.
Esta alteração aplica-se tanto ao crédito habitação como ao crédito ao consumo.
Alterações nos prazos máximos
O Banco de Portugal simplificou também as regras relativas aos prazos dos empréstimos.
Os novos limites passam a ser:
- até 40 anos para mutuários com idade igual ou inferior a 35 anos;
- até 35 anos para mutuários com mais de 35 anos.
Esta medida procura adaptar melhor a duração do empréstimo à idade dos clientes.
Menor margem de exceção para os bancos
Outra novidade prende-se com a flexibilidade concedida às instituições financeiras.
Até agora, os bancos podiam ultrapassar os limites recomendados numa percentagem mais elevada dos contratos.
Com as novas regras, essa margem de exceção reduz-se de 15% para 10%, tornando mais difícil aprovar processos que ultrapassem os critérios definidos pelo regulador.
Quem será mais afetado?
As alterações terão maior impacto em:
- jovens compradores com rendimentos mais reduzidos;
- famílias que já possuem outros créditos;
- clientes com uma taxa de esforço próxima dos limites atuais;
- quem pretende financiar uma elevada percentagem do valor do imóvel.
Ainda assim, cada processo continua a ser analisado individualmente pelos bancos.
Como preparar um pedido de crédito?
Existem várias estratégias que podem aumentar as probabilidades de aprovação.
Reduzir créditos existentes
Liquidar ou amortizar créditos pessoais ou automóveis poderá diminuir significativamente a taxa de esforço.
Reforçar a entrada inicial
Quanto menor for o valor financiado, melhores tendem a ser as condições do empréstimo.
Organizar a documentação
Ter toda a documentação preparada facilita o processo e transmite maior confiança à instituição financeira.
Simular diferentes cenários
Comparar propostas de vários bancos continua a ser uma das formas mais eficazes de encontrar melhores condições de financiamento.
O papel do consultor imobiliário
Num contexto de regras mais exigentes, torna-se ainda mais importante contar com acompanhamento especializado.
Um consultor imobiliário trabalha em conjunto com especialistas em crédito para ajudar a:
- avaliar previamente a capacidade de financiamento;
- encontrar imóveis compatíveis com o orçamento disponível;
- negociar melhores condições;
- acompanhar todo o processo até à escritura.
Este apoio permite evitar surpresas e tomar decisões mais informadas.
Conclusão
As novas regras do crédito habitação representam um reforço dos critérios de concessão de financiamento, procurando garantir maior segurança para famílias e instituições financeiras.
Embora algumas pessoas possam sentir um acesso mais limitado ao crédito, uma boa preparação continua a fazer toda a diferença.
Se pretende comprar casa nos próximos meses, o ideal é iniciar desde já uma análise da sua situação financeira, conhecer a sua capacidade de compra e preparar o processo com antecedência.
Com aconselhamento adequado, continua a ser possível concretizar o sonho da casa própria com maior tranquilidade e segurança.
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